domingo, 11 de outubro de 2009

TUDO PASSA




Tudo Passa
(Merlânio Maia)

Uma perda de um ente tão querido
Um amigo que trai a confiança
Um adeus que traduz desesperança
Uma hora repleta de gemido
A lembrança daquele amor traído
A notícia tão má que esmorece
Punição quando a gente não merece
Injustiça que se destila em taça
Tudo passa, na vida tudo passa
Mas nem tudo que passa a gente esquece

A lembrança do meu sertão amado
Quando a chuva tão rara aparecia
Que provocava festa noite e dia
Nas humildes cabanas do roçado
Ainda lembro, eu na rede sossegado,
Me sentava e fazia a minha prece
Era a vida que ao coração aquece
Com o amor da mulher cheia de graça
Tudo passa, na vida tudo passa
Mas nem tudo que passa a gente esquece

Um semblante da mãe que abençoa
Os caminhos do seu belo rebento
Uma noite passada ao relento
A saudade no peito da pessoa
Um socorro que no ouvido ecoa
O caçula que some quando cresce
A tristeza que às vezes acontece,
E sucede um momento de desgraça
Tudo passa, na vida tudo passa,
Mas nem tudo que passa a gente esquece!

O sucesso que chega de repente
E ilumina o caminho da pessoa
O gostinho de leite, queijo e broa,
Relembrando a infância em nossa mente
Uma mão de um amigo bem contente
Numa noite de dor a ação da prece
Um sorriso que ampara, afaga e aquece...
Num momento feroz de ameaça
Tudo passa, na vida tudo passa,
Mas nem tudo que passa a gente esquece!

domingo, 4 de outubro de 2009

AGENDA MERLÂNIO MAIA - MENESTREL



11/JULHO/2010 - CANTORIA EM GOIANIA/GO - FAE -FESTIVAL DE ARTE ESPÍRITA DE GOIANIA;

06/JUNHO/2010 - PEDRO LEOPOLDO/MG VI FORUM DE ARTE ESPIRITA DA ABRARTE;

24/MAIO/2010 - 40a SEMANA ESPÍRITA DE ITABUNA - CANTORIA COM MERLÂNIO MAIA;

11/ABRIL/2010 - CANTORIA EM FRANCA/SP DIVERSAS CASAS ESPÍRITAS NA BAIXADA SANTISTA;

07/MARÇO/2010 - ESCOLA DO QUILO - RECIFE/PE - CANTORIA COM MERLÂNIO MAIA;

05/NOVEMBRO/2009 - ABERTURA DO ENCONTRO DE EDUCAÇÃO EM PATOS/PB - FACULDADE MAURICIO DE NASSAU

11/OUTUBRO/2009 - ENCONTRO DE ARTE E CULTURA ESPÍRITA RECIFE/PE - CANTORIA COM MERLÂNIO MAIA;

09/OUTUBRO/2009 - II MOSTRA DE ARTE ESPÍRITA EM NATAL/RN CANTORIA CORDEL DE LUZ;

03/OUTUBRO/2009 - NOITE DE CULTURA ESPÍRITA - APRESENTAÇÃO DE MERLÂNIO MAIA;

05/SETEMBRO/2009 - FRATERNIDADE MENSAGEIROS DO BEM JPESSOA/PB - CANTORIA COM MERLÂNIO MAIA

18/SETEMBRO/2009 - ENDOARTE ARACAJU/AL - CANTORIA COM MERLÂNIO MAIA;

22/SETEMBRO/2009 - 31a SEMANA ESPÍRITA DE BARREIRAS/BA - CANTORIA COM MERLÂNIO MAIA;

terça-feira, 1 de setembro de 2009

AGENDA MERLÂNIO MAIA - MENESTREL




05/SETEMBRO/2009 - FRATERNIDADE MENSAGEIROS DO BEM
JPESSOA/PB - CANTORIA COM MERLÂNIO MAIA

18/SETEMBRO/2009 - ENDOARTE ARACAJU/AL - CANTORIA COM MERLÂNIO MAIA;

22/SETEMBRO/2009 - 31a SEMANA ESPÍRITA DE BARREIRAS/BA - CANTORIA COM MERLÂNIO MAIA;


segunda-feira, 10 de agosto de 2009

TRAGÉDIA NO CIRCO







TRAGÉDIA NO CIRCO
Merlânio Maia

Dezessete de dezembro
Do ano mil novecentos
E sessenta e um, nos trouxe
Um dos mais tristes eventos
Que abalou o mundo inteiro
O palco: Rio de Janeiro
A cidade: Niterói
Um circo espetacular
Armou-se para encantar
Com seus artistas e heróis

Animais do mundo inteiro
E domadores valentes
Mágicos e trapezistas
E os palhaços sorridentes
Dançarina rodopiava
E a platéia delirava
Em grande alacridade
Para as mães e as crianças
Tudo era doce esperança
Sorriso e felicidade

As crianças gargalhavam
Com aquelas palhaçadas
Voavam os trapezistas
Sob aplausos e risadas
Desfilavam os atletas
Macacos em bicicletas
Leões pulavam fogueira
Tigres, onças e panteras,
Cavalos e outras feras
Era tudo brincadeira

Mas na empanada sintética
Acontece o imprevisto
Um curto na rede elétrica
E logo um incêndio é visto
As chamas devoradoras
Lânguidas, destruidoras
Crescem inesperadamente
Que aquela doce alegria
Transformou-se em agonia
E desespero inclemente

Animais se atropelavam
Presos no fogo constante
A coberta cai ardendo
Em fogueira causticante
Crianças pisoteadas
Mães morrendo incendiadas
Na tal noite de terror
Entre mortos e feridos
O mundo ouvia os gemidos
De tão gigantesca dor

Sobressai ali um homem
Aquele velho palhaço
Que salvara muita gente
A esquecer dor e cansaço
Enorme é sua agonia
Pois seu corpo já ardia
Em chaga fenomenal
Que ao salvar cinco crianças
Perde as forças e a esperança
E é levado ao hospital

Entre muitos internados
Feridos em enfermaria
Ouvindo choros, gemidos...
E ele só sente agonia
Desmaia e sonha em outra cena
Não é circo é uma arena
Que está sendo preparada
É Roma antiga e o povo
Organiza um palco novo
Pra outra gente ser queimada

Nesse seu estranho sonho
Ele está na Roma antiga
Onde o imperador é Nero
Sem ver uma mão amiga
É um cenário conhecido
Talvez onde foi vivido
Outro desespero atroz
Vê a infinita maldade
Que devora a humanidade
E aos pobres sem vez nem voz

Generais da antiga Roma
Visando matar cristãos
Em cento e setenta e sete
Preparam perseguição
A mais covarde e cruel
E o povo assume o papel
Tão torpe nessa matança
Prometendo cooperar
Em descobrir e entregar
Cristãs mulheres e crianças

Pensou-se assim e assim fez-se
Jovens mães com as crianças
Na prisão choram e esperam
A mais terrível matança
Toda a arena é cercada
De arame e barricada
Que fugir era impossível
Tudo indicava chacina
Todo chão era resina
Do mais forte combustível

E assim abrem-se as celas
No horror correm unidos
Também são soltas as feras
E o desespero é sentido
Quando o fogo entra em cena
Na arquibancada da arena
É só delírio e emoção
Da platéia enfurecida
E embaixo se perde a vida
Somente por ser cristão

Crianças gritam e choram
Ao encontro de tal cruz
Mas quando deixam seus corpos
Encontram o Mestre Jesus
Que as abraça sorrindo
E um coro vai se ouvindo
No raiar de um novo dia
E o palhaço vai tornando
E lentamente voltando
Ao presente em agonia

Ainda vê no seu leito
Aquele horror passado
E ele entende a dor do mundo
E se sente realizado
Em ter vivido pra o bem
Sem sequer olhar a quem
E de alegria chora
Vê a justiça de Deus
Naqueles segundos seus
Mas sente que vai embora

E vê que muitas crianças
Cercam seu leito a sorrir
Algumas das que ele vira
Na arena sucumbir
Nessa hora em sublime luz
Vê a efígie de Jesus
Num jardim belo do horto
Enquanto que em Niterói
É condecorado herói
Naquele seu corpo morto

Assim agiu a justiça
Perfeita das mãos de Deus
No circo se encontraram
Os romanos, os judeus,
E os gentios. Todos voltaram
E com a Lei se quitaram
Na reação da ação
Em Roma a semeadura
Niterói colheita dura
Pela reencarnação

Meu nome é Merlânio Maia
Eis um caboclo tranqüilo
Rico das coisas da alma
Livre disso e até daquilo
Amigo sem ter parêa
Na vida trago a candeia
Ilimunando a quem caia
O Cantador sertanejo
Mas se despede num beijo
AI Aqui: Merlânio Maia!

sábado, 1 de agosto de 2009

A DEFESA DA MULHER - Merlânio Maia




A DEFESA DA MULHER
Merlânio Maia


Contam lá no meu sertão
Que uma jovem camponesa
Lutava no seu torrão
Pra levar comida a mesa
Com o seu machado se empenha
Fazer da árvore lenha
Com sua força juvenil
Quando num golpe mais forte
O seu machado erra o corte
E cai num profundo rio

Ela fica um tanto aflita
Pois só tem esse machado
Se ajoelha e diz contrita
- Ó Deus meu, Pai adorado,
Me socorre, meu Senhor
Ajuda-me, por favor!
E ao findar dessa oração
E esses clamores tão seus
A ela aparece Deus
E ela treme de emoção

E Deus mergulha no rio
Perigoso e agitado
Volta igual como saiu
E nas mãos traz um machado
Mas um machado de ouro
Reluzente qual tesouro
Que ele ostenta em sua mão
E pergunta do seu lado:
É este aqui o teu machado?
E ela lhe responde: É Não!

Deus mergulha novamente
E lhe traz outro machado
De diamantes reluzentes
De esmeraldas, cravejado
E pergunta: É este, então?
E ela lhe responde: Não!
Então Deus pula no rio
E sai com um machado bronco
Do cabo feito de tronco
E lhe pergunta gentil:
- É este aqui o teu machado?
E ela diz: Sim, meu Senhor,
Sou feliz por tê-lo achado!
E Deus cheio de esplendor
Lhe fala: - Tua atitude
Mostra que ainda há virtude
E foi bom ter te ajudado
És honesta e és decente
Por isso como presente
São teus esses três machados!

A mulher fica feliz
Agradece o seu presente
E a vida como a raiz
Se aprofunda e segue em frente
Certo dia o seu marido
Seguia o rio comprido
E o cavalo de repente
Se espanta e o joga no rio
E ela que a tudo assistiu
Se ajoelha penitente

E roga ali sem demora:
- Ó Deus, Tu és poderoso
Me socorre nesta hora
Salva o meu querido esposo
Deus veio logo que ouviu
E assim mergulhou no rio
E trouxe-lhe outro varão
Mais bonito e mais bem feito,
Que o seu marido. Perfeito!
O cabra era a tentação!

Deus lhe volta com a questão:
- É este aqui o teu marido?
E ela cheia de emoção
Diz: - Senhor, é o meu querido!
Deus enfurecido grita:
- Ousas me mentir gasguita
Eu que fiz a terra e o mar?
Infiel e sem vergonha!
E ela diz sem cerimônia:
- Senhor, eu posso explicar!
- Explica, infiel e inglória!
E ela diz: Ó meu Senhor,
Eu já conheço essa história
Das provas do vosso amor
Se eu renegasse este belo
Trarias lindo modelo
Pois sei que outro viria
E se eu negasse um por vez
Meu prêmio seria os três
E é pecado a TRIGAMIA!

E Deus Todo-complacente
Diz: - Tem lógica e tens razão
És astuta e boa crente
E tens belo o coração
E assim Deus foi convencido
Ela teve o seu marido
E a sua vida bendita
Moral da história é um conceito:
“A mulher mente de um jeito
Que até Deus acredita!”

terça-feira, 30 de junho de 2009

A TRISTE FATALIDADE - Autor: Merlânio Maia




A TRISTE FATALIDADE
Autor: Merlânio Maia


Simeão de Pedro Bento
Juntou a família inteira
E firmou seu pensamento
De sumir de Catingueira
Pois a seca no sertão
Expulsava Simeão
Da sua terra natal
Assim juntou a família
E botou o pé na trilha
De São Paulo capital

Chegando na capital
Simeão se espantou
Tanto prédio vertical
No entanto ele encontrou
Uma oportunidade
Já buscava na cidade
Um emprego urgentemente
Pois se achava arranchado
Num barraquinho apertado
De um seu contraparente

Conseguiu se empregar
Depois de muito suplício
Seu trabalho era limpar
Vidraça de edifício
Passava dias inteiros
Junto de dois companheiros
Nos andaimes pendurado
Só assim pode alugar
Um barraco pra morar
Na favela do alagado

Mas o destino do pobre
Não cochila nem descansa
Não recompensa com cobre
Nem dá sombra ou água mansa
Mas quando quer maltratar
Faz no vigésimo andar
Como fez com Simeão
A barriga fez compressa
- Cumpade desça depressa
Num dá pra segurar não!

- Pois segure Simeão
Porque descer nem pensar!
- Ô rapaz faz isso não
Não consigo nem falar
Que o registro já fez bico
Arranje um balde, um penico
Ou desça no zum zum zum!
- Bata aí nessa janela
Peça ajuda a dona dela
Descer de jeito nenhum!

Bateu e gritou: Madama,
Me socorra, dê um jeito
Já tô me acabando em lama
E vou melar o rejeito
Logo a mulher prontamente
Leva o Simeão valente
Pra que possa aliviar
E o pobre entra correndo
Que o monstro estava crescendo
E ele a gemer sem parar

Porém enquanto ele estava
Espremendo o fato seu
A corda que segurava
O andaime se rompeu
Os companheiros coitados
Lá de cima despencados
Se esborracharam no chão
Simeão na tremedeira
Viu que aquela caganeira
Foi a sua salvação

No velório só falavam
Da triste fatalidade
E as famílias choravam
De desespero e saudade
A esposa de Simeão
Orava de gratidão
A Deus, por tê-lo poupado
Quando o dono da empresa
Trouxe uma grande surpresa
Pra família dos coitados

- Isto nunca aconteceu
E a minha alma está presa
O meu coração doeu
Por isso a nossa empresa
Dará casas mobiliadas
Às famílias enlutadas
Pra alívio do sofrimento
E por dez anos de vida
Terão feira garantida
Pra amenizar o tormento

Cada uma das famílias
Ganhará vinte salários
E os órfãos filhos e filhas
Terão mais uns honorários
E até a faculdade
A educação de verdade
Eu continuarei pagando
E a mulher de Simeão
Diz metendo-lhe a mão:
E esse bonitão CAGANDO!!!

terça-feira, 23 de junho de 2009

MERLÂNIO MAIA

 
Posted by Picasa

O CORDEL DO CORDEL



O CORDEL DO CORDEL
Autor: Merlânio Maia


Permita me apresentar
Com meu verso tão fiel
Aos nobres pesquisadores
Com meu diploma e anel
Meu nome é Merlânio Maia
E este é o Cordel do Cordel

O que chamam de Cordel
Na Vera realidade
É a grande Literatura
Popular de qualidade
Folhetos vindos de longe
Das européias cidades

Já no século quatorze
Na Holanda, Portugal,
Espanha, França e Alemanha,
Toda Europa ocidental
Já havia estes folhetos
Em circulação normal

Músicos cavalheirescos,
Sedutores Menestréis,
Bardos que de vila em vila
Dessa arte tão fiéis
Cantavam esta bela arte
Dos folhetos de Cordéis

E então quando as Caravelas
Cruzaram o mar de anil
Em busca do Novo Mundo
Ali se introduziu
Literatura em folheto
A caminho do Brasil

Foi assim que a Pindorama
Nossa Nação adorada
Conheceu estes folhetos
Quando foi colonizada
Por levas de Trovadores
Cantando pelas estradas

Dos trovadores nasceram
Cantador e Violeiro
Que andavam pelas vilas
E em casa de fazendeiro
Levando as informações
Por todo Brasil inteiro

Desde lá de Portugal
Todo folheto era exposto
Em barbante ou cordel
Bem dobrado e assim disposto
E assim ganhou este nome
Que o povo fala com gosto

Eram escritos em prosa
Até história menor
Em quadras metrificadas
Em redondilha maior
Sete silabas contadas
Dando um ritmo melhor

Na Espanha Pliegos Sueltos
De poesia popular
Portugal eram Cordéis
Que tinha em todo lugar
Aqui Folhetos de feira
Que até hoje pode achar

O tesouro do Cordel
Chegou com a Caravela
Atravessou sete mares
Tornando a vida mais bela
Enfim chegou ao Brasil
Nação verde e amarela

Logo ao nascer da nação
O Cordel cantou seu hino
Acalentando no berço
O enorme país menino
Que nasceu bem no Nordeste
Pois Brasil é Nordestino

E assim neste berço esplêndido
O Cordel tem novo porte
Foi decantado em sextilhas
E na setilha tão forte
Por dois poetas gigantes
Paraibanos de sorte

Os dois que fizeram história:
Leandro Gomes de Barros
Criou mais de mil folhetos
Sem estanques, nem esparros
E viveu de fazer versos
Tantos que enchiam carros

Silvino de Pirauá
Foi outro paraibano
Também cultuou poesia
Fez do Cordel o seu plano
Junto à viola e violeiros
O Cordel foi soberano

Este pequeno folheto
Que precedeu ao jornal
Divertindo a populaça
Com força descomunal
Também afrontou o rádio
Sem apagar seu fanal

Mais tarde veio a TV
Pensaram: - é a sua morte!
Mas o Cordel não morreu
Enfrentando toda sorte
E agora usa a Internet
Para ficar bem mais forte

Grandes autores vieram
Fazendo esta sua arte
João Martins de Atayde
Que não deixou um descarte
José Pacheco e Dila
Também fazem a sua parte

E também Cordeiro Manso
Joaquim Sem Fim, Antonio Cruz,
Manoel V. Paraíso
Joaquim Silveira conduz
Patativa do Assaré
Que ainda hoje reluz

José Camelo de Melo,
Romano Elias da Paz,
Moisés Matias de Moura,
José Adão, Manoel Tomás,
Laurindo Gomes Maciel
E centenas de outros mais

E os Cordéis de sucesso:
“Juvenal e o Dragão”,
“O Pavão Misterioso”,
“A Sina de Lampião”,
“A Princesa Teodora”,
“E a Seca no Sertão”

“A Mulher Que Virou Onça”,
“Oliveiro e Ferrabrás”,
Tem “Maria Madalena”,
E “É Bom Tudo o Que Deus Faz”,
“Pelé na Copa do Mundo”,
Tantos que não findam mais

“As Proezas de João Grilo”,
“O Meu Sertão no Inverno”,
“A Vida de Padre Cícero”,
E “O Paraíso Moderno”
Cito também: “A Chegada
De Lampião no Inferno”,

O Cordel de “Lampião
E a Velha Feiticeira”,
“A Discussão de Um Fiscal
Com o Matuto na Feira”,
“Lampião Fazendo o Diabo
Chocar um Ovo”. Primeira!

Tem “O Pássaro Encantado
Da Gruta de Ubajara”,
“A Ameaça de Corisco
De Atacar Ibiara”,
E “A Desgraça de Um Corno
Depois Que Quebrou a Cara”

“O Vale das Borboletas”,
“Conversa de um Xeleléu”
Com o Seu Anjo da Guarda”,
E “A Saga de Rapunzel”,
“Zé do Brejo, o Caipora”,
Pois tudo isso é Cordel

E até hoje é o folheto
Nossa cultura mais forte
Influenciando músicos,
Poetas de Sul a Norte
Levando a todo o Brasil
O seu ritmo e o seu porte

Muitos artistas famosos
Se inspiram neste celeiro
Do universo do Cordel
Como Jackson do Pandeiro,
Elba, Geraldo Azevedo,
Tom Zé e Zeca Baleiro,

Até o Chico Buarque
Já buscou seu agasalho,
Gilberto Gil, Gonzagão,
Gonzaguinha e Zé Ramalho,
Caetano e Antonio Nóbrega,
Sivuca sem embaralho...

Além de outros literatos:
José Lins, Graciliano,
José Américo de Almeida,
O Suassuna, Ariano,
Só para homenagear
Os maiores deste plano

Aqui trago a homenagem
Ao grupo contemporâneo
Astier, Bráulio Tavares,
Daudeth e o meu conterrâneo
Que é Bebé de Natércio
Grande abraço de Merlânio

Minha história não termina
E mantenho-me cantando
Rindo-me em muitos momentos
Lá na frente até chorando
A levar nossa cultura
Nas ondas da criação
Irreverente mistura
Onde derramo a emoção

quinta-feira, 18 de junho de 2009

INFANTES ABANDONADOS




INFANTES ABANDONADOS
Merlânio Maia

Vês a dantesca presença,
Vês a isto que estou vendo?!
Estas flores mutiladas
Cuja haste está morrendo
Convivendo com o perigo
Como quem sofre um castigo
São desnacionalizados
Sem noções de amizade
De amor, de lealdade
Infantes abandonados

Olhe os olhos dos meninos
Ouve o choro das meninas
Vítimas violentadas
Nas sarjetas, nas esquinas,
Sangrando de abandono
Cão sarnento sem ter dono
A comer raios de lua
Jogados no precipício
Dos braços sujos do vício
Na simbiose mais crua

Será que são cidadãos
São párias ou são ETs
Ou personagens de filmes
Que tem vida nas TVs?!
Quem sabe, serão humanos...
São normais ou são insanos?
Será que estes sentem dor?
Serão duendes os tais
Já que vê-los tira a paz
De todo espectador

Escuta: gemem silêncio!
Quem os há de escutar!?
Se vagueiam numa estrada
Invisíveis de se olhar
Nos vêem, sequer os vemos
Nos falam, não entendemos
Tal dialeto da dor
Falta em nós a tradução
Que é feita no coração
De quem entende de amor

Suas dores violentam
Dançando em ruas e praças
Ferem toda hipocrisia
Expondo as suas desgraças
São restos do egoísmo
Da fábrica do hedonismo
Do mal que gera abastança
Mas quem ama apenas diz
No amparo ao grupo infeliz
- Meu Deus, protege a criança!

Espectros de ser humano
São meninas e meninos
Ó Deus, são seres infantes
Ainda são tão pequeninos...
Necessitam de carinho
Aves caídas do ninho
Arrebentadas de dor
O amparo se faz urgente
Pois só regando a semente
O mundo achará o amor

TUDO QUE DEUS FAZ É BOM (versão matuta)




TUDO QUE DEUS FAZ É BOM II
Merlânio Maia

Um sujeito da cidade
Visitando o interior
Tal qual dono da verdade
Metido a entendedor
Vai perguntando ao matuto
Com seu jeito meio bruto
Criticando até no tom
E o matuto respondendo
Aqui e ali vai dizendo:
- Tudo o que Deus faz é bom!

Vai perguntando o sujeito:
- Mas você não acha errado
Onde a vaca tem o peito
Quase ao rabo pendurado?
E o matuto: - Que nada!
A vaca está preparada
Não precisa califom
E protege com certeza
Que o coice é a sua defesa
Tudo que Deus faz é bom

Lá na roça o cidadão
Quando vê a melancia,
O jerimum e o melão
Grita cheio de alegria:
- Veja só que grande asneira
Frutinhas na pitombeira
E as maiores no destom
Porque não se inverte e ajeita
Se a criação é perfeita
E tudo que Deus faz é bom?

“Porque Deus não colocou
Cada fruta em seu lugar
Ou ele nunca pensou
Que eu não viria a notar
Pois se a fruta é pequena
Nasça em árvore amena
Pois nem entorta o guidom
Mas se a fruta é anormal
Dê em árvore colossal
Pra que tudo seja bom!”

Já era do lanche a hora
Na sombra da pitombeira
Deitam-se ali, sem demora
Pois que bateu a canseira
De repente uma pitomba
Do galho mais alto tomba
Certeiro, sem nem um som
E no olho do cabra bruto
Acerta, e diz o matuto:
- Tudo o que Deus faz é bom

E o matuto continua:
- Já pensou se a pitomba
Fosse uma abóbora crua
Caindo como uma bomba
Ou melancia, ou melão?
E aquele sujeito então
Com o olho roxo e marrom
Viu em Deus sabedoria
E concordou nesse dia:
-Tudo o que Deus faz é bom!

LIVRO CORDEL DE LUZ



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Uma obra para todas as crenças com o envolvimento de poemas de Natal da LITERATURA DE CORDEL e a espiritualidade.

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É um livro de poesias espiritualizadas, feito com a sonoridade e a graça da LITERATURA DE CORDEL.

Neste livro estão os poemas TUDO O QUE DEUS FAZ É BOM, PORQUE DEUS É MUITO MAIS!, A VIDA DE MARIA DE MAGDALA, A VIAGEM DA MÃE SANTÍSSIMA, e mais outras jóias espirituais.

PREÇO: R$ 10,00

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segunda-feira, 15 de junho de 2009

CD DE POESIA DE CORDEL DECLAMADA



MEU SERTÃO CHEIO DE GRAÇA
É o universo do sertanejo matuto retratado em poemas da Cultura Popular.
Os causos mais engraçados declamados com esmero, para levar a alegria por onde passar.
Recomendado para aulas motivacionais, palestras, conferências, etc.
Divertimento para todos os gostos.
O sertão que ri!
Excelente para dramatizações, declamações, etc.

"Um presente de Merlânio Maia para a humanidade!"(Nando Cordel)
PEDIDOS:

MERLÂNIO MAIA
Email: merlanio@merlaniomaia.com.br
Fones: (83) 3042.6660 - 9922.9660 - 8725.9660
Av. Almirante Barroso, 600, Loja 01
CEP. 58013-120 - Centro - João Pessoa/PB

CD DE POESIA DE CORDEL DECLAMADA



CANTANDO E CONTANDO HISTÓRIAS é um CD onde se une a Literatura de Cordel com os princípios básicos do Espiritismo Cristão.
Causos e crônicas em CORDEL para o deleite de todos.
Recomendamos para ser usada em aulas de evangelização espírita, palestras, conferências, etc.
Excelente para dramatizações, declamações, etc.
O Universo da Literatura de CORDEL traduzindo o pensamento espírita.
"Um presente de Merlânio Maia para a humanidade!"(Nando Cordel)

PEDIDOS DIRETOS AO AUTOR:

MERLÂNIO MAIA
Email: merlanio@merlaniomaia.com.br
Fones: (83) 3042.6660 - 9922.9660 - 8725.9660
Av. Almirante Barroso, 600, Loja 01
CEP. 58013-120 - Centro - João Pessoa/PB

CD DE POESIA DECLAMADA



CD POESIA QUE CANTO E CONTO é um CD com POEMAS da paz construída.
Recomendamos para ser usada em aulas, palestras, conferências, etc.
Excelente para dramatizações, declamações, etc.
O Universo da Literatura de CORDEL na construção da Paz.
"Um presente de Merlânio Maia para a humanidade!"(Nando Cordel)
PEDIDOS:

MERLÂNIO MAIA
Email: merlanio@merlaniomaia.com.br
Fones: (83) 3042.6660 - 9922.9660 - 8725.9660
Av. Almirante Barroso, 600, Loja 01
CEP. 58013-120 - Centro - João Pessoa/PB

CD DE POEMAS DECLAMADOS



CORDEL DE LUZ é um CD com mensagens lindíssimas, cheias de espiritualidade.
Recomendamos para ser usada em aulas, palestras, conferências, etc.
Excelente para dramatizações, declamações, etc.
O Universo da Literatura de CORDEL espiritualizada.
"Um presente de Merlânio Maia para a humanidade!"(Nando Cordel)

PEDIDOS DIRETOS COM O AUTOR:

MERLÂNIO MAIA
Email: merlanio@merlaniomaia.com.br
Fones: (83) 3042.6660 - 9922.9660 - 8725.9660
Av. Almirante Barroso, 600, Loja 01
CEP. 58013-120 - Centro - João Pessoa/PB

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Na diferença é que somos Tão completamente iguais


Merlânio Maia


Se o outro é tão diferente

Tão distante do meu ser,

Tenho que reconhecer

A inversão permanente

Pois em meio a tanta gente

Com o que cada uma traz

Não se igualam jamais

Sequer nos seus cromossomos

Na diferença é que somos

Tão completamente iguais


Sou, daquele, diferente

E ele igualzinho a mim

Do começo, meio e fim,

Difere radicalmente

E me acha totalmente

Diferente até demais

São opiniões reais

Até do que nos propomos

Na diferença é que somos

Tão completamente iguais


Sou do outro diferente

Como este outro é pra mim,

Como a rosa é pro jasmim,

Como a neve é pro sol quente,

Como a traseira é pra frente,

Como o conflito é pra paz,

Como os plebeus, pros reais,

Como a laranja é pros gomos,

Na diferença é que somos

Tão completamente iguais

terça-feira, 24 de março de 2009

TESOUROS DO MEU SERTÃO




TESOUROS DO MEU SERTÃO

Merlânio Maia



Os sons vão mudando que o dia termina
A ave de rapina traz sua canção
Canta a saparada e o vento num açoite
Vem dar boa noite e balança o sertão



Quando desce a noite é que lá fica lindo
O sol vai sumindo deixando o lugar
A lua dengosa já já vai saindo
E assim vai subindo para iluminar



E o simples roceiro à beira do fogo
Penetra no jogo, afina a viola,
Caboclo pachola seduz sua amada
Que na madrugada com amor lhe consola



É bela, é gostosa, é dengosa e morena
Que em noite serena vem me acalentar
Por essas e outras a vida da roça
Não há quem não possa se apaixonar



E Deus que olha tudo, vê tudo e abençoa
A vida é tão boa junto a natureza
Há tanta beleza naquele rincão
Que é o meu sertão minha maior riqueza!

terça-feira, 17 de março de 2009

MARIA TINHA JESUS




Maria tinha Jesus!

Merlânio Maia


Dois mundos tão diferentes

O de Mamon e o de Deus

O de Herodes e o do céu

E os valores tão seus

Era a ilusão da riqueza

Contrário a paz da pobreza

Era o fausto contra a luz

Que da pobreza nascia

Pois José tinha Maria,

Maria tinha Jesus!


Os dias foram difíceis

E um casal de peregrino

Andando pelo deserto

Ela esperando um menino

Batendo em portas fechadas

De almas amortalhadas

Que assim não fizeram jus

Do amor que ao mundo descia

Mas José tinha Maria,

Maria tinha Jesus!


Que mais podiam querer

Pra se manterem de pé

Se aquele casal vivia

Na mais cristalina fé?

Não tinham ouro, nem cobre,

Porém apesar de pobre

Tinham paz que a fé produz

A vida era de alegria

Pois José tinha Maria,

Maria tinha Jesus!


Deixam os muros da cidade

Maria cheia de dores

Buscando um lugar seguro

Encontram pobres pastores

Que libertos da usura

Creram na estrela da altura

Que no infinito reluz

E pela terra irradia

Mas José tinha Maria,

Maria tinha Jesus!


E do céu se ouve um coro:

- É Natal Jesus nasceu!

Era um coro tão divino

Que até hoje se estendeu

E a manjedoura da paz

Cercada por animais

Que a tradição reproduz

Ainda hoje extasia

E José tinha Maria,

Maria tinha Jesus!


Foi o tesouro mais santo

Que o mundo recebeu

Mais poderoso que os reis

Mas sem cobre, assim, plebeu,

Longe o de Herodes crescia

Em maldade, agonia,

Sofrimento, sangue e pus

Mas cá o amor jazia

Pois José tinha Maria,

Maria tinha Jesus!


Sem palácios suntuosos

Sem a presença dos reis

Sem a maldade ufanosa

E sem as humanas leis

Sem poder de generais

Sem pompas materiais

Porém repletos da luz

Que só no amor irradia

Pois José tinha Maria,

Maria tinha Jesus!


E foi ali que a esperança

Nasceu invadindo o mundo

Era o Príncipe da Paz

Verbo de Deus oriundo

De sagrada realeza

De um clã que em sua pobreza

Fez da noite dia e Luz

Pra sempre o mundo veria

Que José tinha Maria,

Maria tinha Jesus!

domingo, 15 de março de 2009

INFANTES ABANDONADOS

Merlânio Maia


Vês a dantesca presença,

Vês a isto que estou vendo?!

Estas flores mutiladas

Cuja haste está morrendo

Convivendo com o perigo

Como quem sofre um castigo

São desnacionalizados

Sem noções de amizade

De amor, de lealdade,

Infantes abandonados


Olha os olhos dos meninos

Ouve o choro das meninas

Vítimas violentadas

Nas sarjetas, nas esquinas,

Sangrando de abandono

Como cão que não tem dono

A comer raios de lua

Jogados no precipício

Dos braços sujos do vício

Na simbiose mais crua


Será que são cidadãos

São párias ou são ETs

Ou personagens de filmes

Cuja vida é das TVs?!

Quem sabe, serão humanos...

Serão normais ou insanos?

Será que estes sentem dor?

Serão duendes os tais

Já que vê-los tira a paz

De todo espectador


Escuta: gemem silêncio!

Quem os há de escutar!?

Se vagueiam numa estrada

Invisíveis de se olhar

Nos vêem, sequer os vemos

Nos falam, não entendemos

Tal dialeto da dor

Falta em nós a tradução

Que é feita no coração

De quem entende de amor


Suas dores violentam

Dançando em ruas e praças

Ferem toda hipocrisia

Expondo as suas desgraças

São restos do egoísmo

Da fábrica do hedonismo

Do mal que gera abastança

Mas quem ama apenas diz

No amparo ao grupo infeliz

- Meu Deus, protege a criança!


Espectros de ser humano

São meninas e meninos

Ó Deus, são seres infantes

Ainda são tão pequeninos...

Necessitam de carinho

Aves caídas do ninho

Arrebentadas de dor

O amparo se faz urgente

Só salvando esta semente

O mundo achará o amor


domingo, 8 de março de 2009

MULHER UM SONHO DE DEUS!

Merlânio Maia


Mulher, que sonho de amor

Te fez tão especial

Que inspiração, afinal,

Construiu os dotes teus?

Que sentiu Deus no momento

Nessa hora tão poderosa

Que vontade caprichosa

Quanto amor sentia Deus!


Imagino os sentimentos

Saídos do Amor divino

Quando esse ser feminino

Suspirou, nasceram céus

E Ele viu quanto era bom

Ainda sorriu de alegria

Ao ver a pura poesia

Direta das mãos de Deus


Ah! Que ser privilegiado

Deus inventou nessa data

Que tem o rio e a mata,

E os mares e ares tão seus

Tem o fogo, a terra e o ar,

Em si carrega o universo

E o homem em si imerso

Co-criadora de Deus


Se o seu corpo é atraente

A sua alma é perfeita

Por isso é a eleita

Entre crentes e ateus

Repleta de compaixão

Completa de piedade

Dona da felicidade

Nascida do amor de Deus


É o ser mais belo do mundo

É ser mais forte da terra

Que não teme a dor, a guerra,

Amando a ricos, plebeus

É a presença da vida

É o símbolo do amor

Instrumento do Criador

Mulher, um sonho de Deus!

ORAÇÃO AO FIM DO DIA

ORAÇÃO AO FIM DO DIA
Merlânio Maia

Senhor da vida, Obrigado

Pelo dom santo da vida

Por tua misericórdia

Tua bondade e guarida

Por mais uma existência

Construindo a consciência

De todos nós, filhos teus

De vermos tua bondade

Dando outra oportunidade

Obrigado Senhor Deus


Obrigado pelo dia

Por mais um fim de semana

Por me ensinar o caminho

Da Luz que o Teu seio emana

Grato pela amizade

Que nos enche de bondade

E enaltece o coração

Honrado pelo esplendor

Da descoberta do amor,

Da ternura e compaixão


Grato pelo fim do dia

Que a noite vem sucedendo

Tal qual nascimento e morte

E assim vamos aprendendo

Que esta sucessão da vida

No viver faz-se incontida

Apagando ilusões vãs

Mostrando que no caminho

Jamais estamos sozinhos

E haverá, sempre, amanhãs


Muito obrigado Senhor

Pelos meus pés calejados

Fortalecidos nas pedras

De tanto ter caminhado

Pisando sobre os defeitos

Buscando os passos perfeitos

Por todos os dias meus

Buscando seguir a luz

Onde Tua mão me conduz

Em porta estreita, meus Deus!


Sou grato por cada amigo

Que esquenta o meu coração

Que me faz doce e alegre

Dando-me paz e emoção

Amigos cuja ternura

Faz a vida menos dura

Enche o viver de calor

Sejam nobres ou plebeus

São os Teus braços, ó Deus

Espalhando o Teu amor


Minhas palavras não dizem

O que sinto, meu Senhor

Pois se até a própria vida

Vem do sopro Criador

De Ti parte toda Luz

Que ao Universo conduz

Aonde o homem não vai

E hoje entrego meus momentos,

Meus melhores pensamentos

E sentimentos, Meu PAI!

DANEM-SE OS SIGNOS

Danem-se os signos!!!

Merlânio Maia


Dizem que os nossos signos

Unidos não são benignos

- Indignos – gritei - malignos!

Não vêem tal esplendor?

Nossas peles, nossos ossos,

A cor e o cheiro tão nossos,

Nossos desejos colossos,

E a imensidão desse amor?!


E o Zodíaco Chinês

Com sua imensa aridez

Nos falou com morbidez:

- “Dois seres distanciados

Dois animais tão valentes

Dois caminhos diferentes

Dois corações divergentes

Incompatibilizados”


Busquei as runas ciganas

As pedras, as porcelanas,

As mais distantes choupanas

Os Magos, as predições,

Os profetas, os videntes,

As bruxas, e as correntes,

E tudo dali pra frente

Nos falavam dos “senões”


Mas vi teus olhos nos meus

E inflamou-me a fé em Deus

Desafiando os Proteus

E destes ficando indignos

Vencendo tristeza e dor

Iluminados de amor

Gritamos cheios de ardor:

- Viva o amor! Danem-se os signos!!!


quarta-feira, 4 de junho de 2008

A OUTRA PARTE DE MIM Autor: Merlânio Maia

A OUTRA PARTE DE MIM
Merlânio Maia

Minha namorada eterna
Meu anjo mais sublimado
O meu ser tão solitário
Depois de tê-la encontrado
Descobriu a plenitude
De não mais ter finitude
Nem a dor da soledade
Tal sentimento malsão
Em mim não fará serão
No encontro da outra metade

Não sei como é que vivi
Sem ter sua companhia
Nem sei se sobrevivi
Sem saber da poesia
Tanta luz baniu meus breus
Vi a presença de Deus
Na completude do ser
Foi tanto amor que estanquei
A busca, pois te encontrei,
Meu amor, meu bem-querer!

Não posso mais viver só
Não sei mais ter solidão
Meu coração só batuca
Junto do teu coração
Quando o rio encontra o mar
Não sabe mais separar
Não volta mais, nunca mais...
Pois agora é oceano
Uno, imenso, soberano,
Pulsante e cheio de paz

Assim sou eu, doce amada,
Depois de tê-la aos meus braços
Esqueci de ser quem era
Pois vivo noutros espaços
Viajo em outro caminho
Não sei mais viver sozinho
Não vivo mais de ilusão
Meu coração hoje é teu
E o teu pulsa no meu
Na divina percussão

Tão intensa a simbiose
Que vejo por teu olhar
Tua voz canta na minha
Gingo no teu caminhar
Sonhamos os mesmos sonhos
Vivemos sempre risonhos
Pensamos tão igualmente
O que vemos e sentimos,
Falamos, e até ouvimos,
Entra por um ser somente

E somos tão diferentes,
Um do outro tão distintos,
Por isto nos completamos
Nas emoções, nos instintos...
A carência é preenchida
Há no outro uma saída
Um côncavo, outro convexo,
Felicidade incontida
No eterno pulsar da vida!
Somente unidos há nexo

E é por isso que não posso
Ficar distante daquela
Que é a outra metade
Que é a outra costela
Só contigo descobri
A minha unidade em ti
Não há começo nem fim
Não há mais como viver
Pois descobri em teu ser
A outra parte de mim!